O fim de uma era - Porque é que as marcas estão a desistir dos influenciadores?
- Iria Gonçalves
- 21 de abr.
- 3 min de leitura

Durante anos, os influenciadores dominaram o marketing digital. As marcas investiram milhares em parcerias com perfis de grande alcance, apostando na visibilidade e no impacto imediato. Mas nos últimos anos, o cenário tem vindo a mudar, o que nos faz questionar: estamos a assistir ao fim dos influenciadores como os conhecíamos?
A resposta é: não exatamente. Os criadores de UGC estão no centro desta mudança de paradigma, com cada vez mais marcas a optar por contratar estes pequenos criadores.
O problema do modelo tradicional de influenciadores
Durante muito tempo, o sucesso de uma campanha dependia de métricas como número de seguidores, alcance e engagement. No entanto, esse modelo começou a mostrar fragilidades, com os consumidores a mostrarem-se cada vez mais saturados de conteúdo patrocinado, e críticos da falta de autenticidade. Além disso, os custos elevados relacionados com a contratação de influenciadores e disputas pelo controlo criativo também levaram ao contexto que assistimos hoje.
As audiências digitais são hoje mais céticas e mais exigentes, valorizando perfis que não comercializam produtos e experiências de forma superficial, mas que mostram o seu valor real para o consumidor.
O que é o UGC?
UGC, ou User Generated Content, é um termo recente, nativo da Gen Z. Este não quer apenas dizer “conteúdo feito por utilizadores”, este é conteúdo criado por perfis especializados que parece real e espontâneo, mesmo quando faz parte de uma estratégia comercial.
Os criadores de UGC não são necessariamente influenciadores e muitos nem têm uma audiência tão grande, mas é exatamente isso que os torna tão eficazes.
Porque é que os criadores UGC estão a ganhar terreno?
1. Autenticidade
O conteúdo UGC parece menos produzido, menos ensaiado e mais humano. A ligação emocional com o público é mais forte, o que se reflete nos resultados que apresentam.
2. Conteúdo orientado para a conversão
Enquanto muitos influenciadores se focam no alcance, o UGC é pensado para performance:
Testemunhos;
Demonstrações reais;
“Antes e depois”;
Experiência direta com o produto.
O resultado? Mais confiança, mais cliques, mais vendas.
3. Adaptabilidade
Uma marca pode trabalhar com dezenas de criadores UGC em simultâneo para testar formatos, mensagens e estilos, exigindo menos recursos financeiros quando comparado com a contratação de um influenciador.
O verdadeiro shift: de audiência para confiança
O que está a acontecer não é apenas uma mudança de formato, é uma mudança de mentalidade.
Se antes se pensava “Quem tem mais seguidores vende mais.”, agora é “Quem parece mais real vende mais.”.
A autoridade deixou de vir do tamanho da audiência e passou a vir da perceção de autenticidade.
No TikTok, o UGC já domina
Se há uma plataforma onde esta mudança é evidente, é o TikTok. Com um algoritmo que privilegia o conteúdo nativo e original, assim como as interações, o conteúdo UGC tornou-se o formato dominante, e altamente eficaz.
E isto cria um cenário claro - as marcas que parecem criadores ganham às marcas que parecem... marcas.
Cada vez mais, vemos empresas a:
Trabalhar com criadores UGC em vez de influenciadores tradicionais;
Produzir conteúdos mais reais e "orgânicos";
Testar dezenas de vídeos por semana com diferentes criadores;
Usar UGC diretamente em anúncios pagos.
Não se trata apenas de tendência, trata-se de adaptação ao comportamento da plataforma.
Os influenciadores vão desaparecer? Não.
Mas o seu papel está a evoluir.
Os influenciadores continuam a ser relevantes e a ocupar o seu lugar de destaque no mercado, cumprindo objetivos diferentes dos UGC.
As marcas que já perceberam isto estão a fazer algo simples: a combinar o melhor dos dois mundos. Influenciadores para alcance e criadores UGC para conversão. Isto é reflexo de uma mudança maior no comportamento do consumidor, acelerada por plataformas como o TikTok.


