Porque é que a Gen Z odeia marcas nas redes sociais?
- Joana Appleton
- 9 de abr.
- 2 min de leitura
Durante anos, as marcas procuraram controlar a mensagem, mas hoje, procuram entrar na conversa.

E nenhuma geração impulsionou tanto essa mudança como a Gen Z, a primeira a crescer com acesso total à internet.
Nativos digitais, expostos a conteúdo constante e altamente seletivos, estes consumidores não respondem à comunicação tradicional. Ignoram-na.
A verdade é simples: comunicar para a Gen Z não é uma questão de presença. É uma questão de relevância cultural e estratégia.
Uma geração que não quer anúncios, quer identificação
A Gen Z cresceu em plataformas como TikTok, Instagram e Snapchat, e isso moldou completamente o seu comportamento.
Estas plataformas primam o conteúdo espontâneo, orgânico, extremamente pessoal, e curto, levando os utilizadores a serem mais recetivos à comunicação “relatable” e que agarra a atenção de imediato.
Preferem conteúdo rápido, visual e direto ao ponto. A atenção é curta, mas a exigência é alta.
Isto muda tudo: não basta comunicar bem, é preciso comunicar no formato certo, no momento certo e com a linguagem certa. Por isso, a criatividade e a capacidade de cada marca se saber posicionar dentro do seu nicho tornam-se um dos pontos mais importantes.
As redes sociais estão cada vez mais unserious
A comunicação polida e corporativa está a perder espaço para algo mais humano.
Hoje, as marcas falam como pessoas. Usam linguagem simples, entram em conversas, mostram bastidores e respondem à comunidade em tempo real.
A formalidade cria distância. A proximidade cria ligação.
A Gen Z valoriza marcas que arriscam, e por isso utilizar humor na comunicação também é essencial.
O humor tornou-se mais irreverente, inesperado e, muitas vezes, caótico. Funciona porque quebra padrões e chama atenção num ambiente saturado.
Aqui, jogar pelo seguro raramente resulta.
A nostalgia é trendy
Curiosamente, uma geração focada no digital está cada vez mais ligada ao passado.
Referências aos anos 2000, cultura pop ou estéticas retro são usadas para criar reconhecimento imediato e ligação emocional.
Num feed saturado, a familiaridade é atenção.
Trends: participar ou desaparecer?
No digital atual, as tendências são linguagem.
Áudios, memes e formatos virais definem como as pessoas comunicam e as marcas mais relevantes sabem entrar nessa dinâmica sem parecer forçadas.
Não se trata de seguir trends. Trata-se de fazer parte delas.
O que é que isto significa para as marcas?
Comunicar para a Gen Z é repensar a forma como a marca existe no digital. Ir para além do que já se faz e procurar ser culturalmente relevante e estrategicamente ousado.
Mais do que mensagens perfeitas, o que funciona é:
proximidade real
relevância cultural
capacidade de adaptação
e autenticidade consistente
Mais do que comunicar, pertencer
A Gen Z não se liga a marcas que falam para eles. Liga-se a marcas que parecem fazer parte do mesmo mundo.
No digital de hoje, não vence quem comunica mais alto.Vence quem consegue fazer parte da cultura.
E isso não se força. Constrói-se.


