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Será que a IA vai criar o maior problema das redes sociais?

  • Guilherme Bento
  • 16 de jun.
  • 3 min de leitura

Desde a explosão de inteligência artificial em 2022 até aos dias de hoje, presenciamos a mudança mais drástica a que já assistimos nas redes sociais. Mas o que podemos esperar no futuro?



O surgimento de IA nas redes sociais


Ao observar o desenvolvimento das redes sociais, desde o início do milénio até ao final da primeira década, é possível identificar uma mudança significativa na forma como estas se organizam.


O que começou com simples plataformas de comunicação e partilha de experiências, evoluiu para ecossistemas alimentados por algoritmos altamente complexos, desenhados para capturar o máximo de atenção do utilizador.


Esta transformação intensificou-se com a chegada de Inteligência Artificial Generativa ao público. A partir deste momento, a criação de conteúdo pode ser feita com um simples prompt, alterando profundamente a forma como informação é produzida e distribuída.


O “AI Boom” e a explosão do conteúdo digital


O lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, marcou um ponto de viragem nesta transformação. Tarefas como a escrita de textos, a geração de ideias e a construção de estruturas de documentos passaram a ser realizadas de forma mais rápida e acessível.

Este desenvolvimento foi ainda mais acelerado com a introdução do DALL‑E 3, em 2023. ao contrário dos seus predecessores, este modelo é capaz de gerar imagens de elevada qualidade e precisão a partir de simples descrições textuais.


Estas ferramentas foram disponibilizadas de forma gratuita ou a baixo custo, criando uma oportunidade de mercado evidente, onde qualquer pessoa podia beneficiar da sua utilização.


Redes sociais como o TikTok, Instagram e Facebook tornaram-se palcos privilegiados para este tipo de conteúdo. De pequenos documentários escritos e editados por IA a vlogs de gorilas na selva, este material passou a ser produzido em massa e de forma barata, com milhares de publicações e vídeos por dia, algo que antes era impossível.


Num estudo realizado pela The Daily Nexus, já em março de 2025, estimava-se que 71% do conteúdo presente nas redes sociais era gerado por IA. Tornando-se, assim, cada vez mais difícil distinguir o que era humano do que era produzido artificialmente.



Saturação e o “AI Slop”


Mas nem tudo neste crescimento acelerado é positivo. Apesar de parecer ter acesso ilimitado a informação, a inteligência artificial depende inteiramente de dados humanos para aprender e gerar conteúdo. Quando a quantidade de conteúdo original disponível diminui, ou quando a IA começa a treinar sobre material que ela própria produziu, inicia-se um ciclo de reciclagem que degrada rapidamente a qualidade.


É aqui que surge o fenómeno conhecido como “AI slop”: conteúdo repetitivo, superficial e cada vez mais distante de qualquer criatividade humana. À medida que os modelos começam a alimentar-se de dados artificiais em vez de dados reais, o resultado torna-se previsível, pobre e saturado.


À medida que este tipo de conteúdo se multiplica, as plataformas começam a ficar inundadas por publicações quase indistinguíveis entre si: vídeos com narrativas genéricas, imagens visualmente apelativas mas vazias de significado, textos repetidos com pequenas variações. Este excesso cria um ambiente saturado, onde o valor informativo e criativo se dilui.


O problema agrava-se porque os algoritmos das redes sociais, desenhados para promover o que é rápido, frequente e visualmente apelativo, acabam por favorecer exatamente este tipo de produção artificial. Assim, o AI slop não só se espalha, como é amplificado, ocupando o espaço que antes pertencia a criadores humanos e a conteúdo autêntico.


O futuro: regulação, adaptação ou colapso


Será a internet inevitavelmente dominada por este AI slop?


Em muitos países já começamos a ver avanços na regulação da inteligência artificial, o exemplo mais marcante é o EU AI Act, aprovado em 2024, que estabelece regras rigorosas para várias áreas de utilização da IA. Entre estas regras está a exigência de que qualquer imagem, vídeo ou áudio criado ou alterado por IA seja claramente identificado como tal.


Mesmo assim, o futuro continua em aberto, um possível caminho é o de uma regulação eficaz, capaz de controlar a proliferação de conteúdo artificial e devolver espaço à criatividade humana. Outro cenário é o da adaptação natural, com as plataformas a ajustarem os seus algoritmos e os utilizadores a tornarem-se mais críticos, aprendendo a distinguir o real do artificial. Mas existe também a hipótese de um colapso da qualidade digital, caso a IA continue a crescer mais rápido do que a capacidade de a regular, transformando a internet num espaço saturado, repetitivo e pouco confiável.

 

O rumo dependerá da rapidez com que governos, empresas e utilizadores conseguirem responder a este desafio, a IA não vai desaparecer; resta saber se a vamos conseguir integrar de forma saudável ou se deixaremos que ela distorça por completo o ecossistema digital.

 
 
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