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A ciência dos posts virais

Matilde Soto de Assis
17 de set.
2 min de leitura

"Dá para fazer um post viral?", "Como é que podemos tornar isto viral?" — quem trabalha em redes sociais já ouviu isto vezes suficientes.



E a verdade é que todos queremos um conteúdo viral: queremos que chegue a mais gente, que seja comentado, partilhado, até premiado.

Mas não queremos o tipo de viral que só olha para os números e esquece a comunidade. Durante muito tempo, pareceu que tínhamos de escolher entre um e outro, mas a verdade é que não tem de ser assim.


Alcance não é uma palavra vazia.

Alcance é a forma como novo público nos encontra, é o topo do funil. Ter conteúdo pensado para esse objetivo não substitui o resto da estratégia, complementa-a. Querer crescer não é superficial. É estratégia.


Os posts que vemos tornarem-se virais não acontecem por acaso. O hook foi escolhido estrategicamente, a estrutura foi pensada para prender a atenção até ao fim, o tema foi selecionado precisamente porque tinha potencial para ultrapassar a audiência primária da marca. Só que esse trabalho de bastidores nunca se vê... só vemos o número final, e assumimos que foi sorte.



 

Cada plataforma fala a sua própria língua.

Instagram, TikTok, LinkedIn, YouTube... cada um responde a um algoritmo diferente e alimenta públicos diferentes. O mesmo conteúdo pode ter dois destinos completamente opostos consoante onde é publicado. Por isso, saber o quê, onde e para quem estamos a falar é base de tudo.

 

Viralidade não é um número, é um comportamento.

Um conteúdo é viral quando ultrapassa a sua audiência primária e começa a circular por recomendação, por DM's, no explorar, ou porque alguém o partilhou com uma pessoa que nunca seguiu o perfil. É esse movimento, essa fuga do círculo original, que define o fenómeno, não o número em si.

 

Todo o conteúdo viral toca num sentimento coletivo.

Quase sempre, por trás de um post viral está algo profundamente humano, algo que as pessoas sentem, reconhecem e do qual querem fazer parte. O algoritmo não cria este sentimento, mas alimenta-o.

Se olharmos para os conteúdos que se tornam virais, há quase sempre três fatores em comum:

  • A emoção é o gancho — o conteúdo faz sentir algo de imediato;

  • Gera conversa — cria um espaço do qual as pessoas querem fazer parte;

  • Dá a sensação de descoberta — quem vê sente que encontrou algo antes dos outros.

 

O objetivo real: viralidade com propósito.

Tornar-se viral, por si só, é apenas um pico de atividade e não significa nada se não dermos a quem nos encontra um motivo para ficar. É preciso tratar cada momento viral como uma campanha: o que vem a seguir? O que é que essa pessoa vai encontrar quando entrar no nosso perfil? Como é que este conteúdo se encaixa no plano geral?


As contas que realmente crescem não são as "sortudas". São as que já tinham o terreno preparado antes do pico acontecer.

Tornar-se viral não é um acidente. Por isso, paremos de o tratar como tal.

 
 
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