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A IA já não está só a criar conteúdos. Está a recriar as ferramentas dos criativos.

Foto do escritor: Sara Silva
Sara Silva
15 de out.
2 min de leitura

Durante os últimos anos, habituámo-nos a ver a inteligência artificial entrar nos programas que usamos diariamente. Primeiro, para gerar imagens e textos, depois para automatizar tarefas, acelerar processos e facilitar o trabalho criativo. Mas o aparecimento do ArtCraft veio trazer uma nova perspetiva a esta discussão: e se a IA também puder ser utilizada para desenvolver os próprios programas?



ArtCraft vs. Adobe: o que está a acontecer?


O ArtCraft é um projeto que ganhou destaque por apresentar alternativas gratuitas e de código aberto a algumas das aplicações mais conhecidas da Adobe Creative Cloud. Com recurso à inteligência artificial, foram desenvolvidas ferramentas que procuram reproduzir funcionalidades de programas como o Photoshop, Illustrator, Premiere Pro e After Effects.

 

A ideia de existirem alternativas à Adobe não é propriamente nova. O que torna este caso diferente é a velocidade com que o projeto foi desenvolvido e a utilização da IA para acelerar a criação de software que, tradicionalmente, exige equipas especializadas e investimentos significativos.

 

Naturalmente, há uma grande diferença entre apresentar uma aplicação funcional e conseguir oferecer a estabilidade, a precisão e a compatibilidade exigidas num ambiente profissional. O ArtCraft ainda está numa fase inicial e não representa, para já, uma alternativa real à Creative Cloud em muitos processos de trabalho.

 

Ainda assim, o projeto levanta uma questão interessante sobre o futuro das ferramentas criativas.



Estamos a entrar numa nova fase da inteligência artificial?


Até agora, grande parte da discussão sobre IA na indústria criativa tem estado centrada na produção de conteúdos. Falamos de imagens geradas em segundos, vídeos criados a partir de prompts e ferramentas que permitem executar tarefas com cada vez menos intervenção manual.

 

Com o ArtCraft, começamos a olhar para uma possibilidade diferente: utilizar a IA para desenvolver ferramentas que respondam a necessidades específicas, sem depender exclusivamente das soluções que já existem no mercado.

 

Para quem trabalha numa agência, esta evolução pode vir a ter um impacto significativo. Estamos habituados a organizar processos em função dos programas disponíveis, muitas vezes adaptando a forma como trabalhamos às funcionalidades e limitações de cada um. Mas e se, no futuro, pudermos fazer o contrário e criar ferramentas ajustadas aos nossos processos?

 

Não significa que estejamos prestes a abandonar o Photoshop ou o Illustrator. Significa apenas que a forma como desenvolvemos, escolhemos e utilizamos software pode estar a mudar.



O que significa isto para o futuro das agências?


A indústria criativa sempre evoluiu acompanhando as ferramentas disponíveis. A diferença é que, desta vez, a transformação pode acontecer não apenas na forma como criamos, mas também na forma como construímos os recursos necessários para o fazer.

 

Para as agências, isso representa uma oportunidade de repensar processos, explorar soluções mais acessíveis e reduzir a dependência de determinados ecossistemas tecnológicos. Ao mesmo tempo, exige capacidade de adaptação e vontade de experimentar, sem confundir novidade com eficiência.

 

O ArtCraft pode ainda estar longe de substituir a Adobe, mas já conseguiu colocar uma questão relevante em cima da mesa: se a inteligência artificial está a mudar a forma como criamos, até onde poderá mudar as ferramentas com que trabalhamos?

 

Talvez a maior transformação não esteja na chegada de um novo concorrente ao mercado, mas na possibilidade de deixarmos de estar limitados às ferramentas que alguém decidiu criar por nós.

 
 
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